domingo, 2 de junho de 2024

Desmoronar

 Ela desmorona... Desmorona e com ela todos os desejos que nada que a magoa sobreviva. Hoje ela é apunhalada sem piedade por todas as gavetas fechadas que se abriram simultaneamente para a vencer...

Os primeiros filhos que são anjos, como seriam?? Meninos mesmo? Conseguirá um dia vê-los em sonhos? SEM BATIMENTOS, SEM BATIMENTOS, o eco mais insensível, mais doloroso e que todos desvalorizam. O que a matou por dentro, a transformou para sempre.

Hoje ela tem a sua princesa que é mais do que a sua vida mas não esquece os seus dois meninos... E ninguém entende a sua dor e sente-se arrastada para o fingimento... Que tudo está bem, que ela está bem e não está! Nunca mais estará... Quase ninguem o vê, ela só desejava que tudo isto não existisse e que as gavetas permanecessem seladas...

Tinha um filho cão, tratado errada e doentiamente com o amor aos filhos que perdeu para o céu... Ninguém viu, ninguém percebeu, também ele foi levado bruscamente sem oportunidade de despedida, um dia numa hora de almoço alguém não se importou de roubar um dos seus amores mais preciosos... Mais uma gaveta fechada, mais um pouco de coração, de carne viva, arrancada bruscamente.

Agarrou-se a tudo o que podia, para ser forte mas sente agora que não consegue, precisa de mais, precisa de ajuda... Ela tenta, tenta desesperadamente ser boa mãe, boa filha, boa irmã, boa tia, boa amiga, boa mulher... E hoje sente que não consegue, não é mais que uma sombra do que desejava ser, pela filha, pela familia..

Mas digo-lhe eu que tem de ser por ela e sinto que as palavras não lhe são acolhidas, sente-se demasiado frágil, carente e sozinha para lutar, para ultrapassar, para procurar ajuda. Hoje desmoronou e ela acredita que quando bate no fundo emerge mais forte... Até à próxima queda....

Um dia acredito por ela, que irá desistir, que irá permitir ajuda e libertação! Que a próxima queda seja libertadora e que se agarre ao seu amor maior, pois só assim acredito que possa vencer, ser ela própria sem receios, sem críticas, sem medos e se erga para não mais permitir que a deixem cair!!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Longe.. De ti..

 Mais uma noite que os pensamentos voam para ti, mais uma noite que todo o meu ser clama por ti, por uma palavra, por um sinal, sinto que sempre te pertenci e que nasci destinada a perder-te entre vidas amaldiçoadas... Revolto-me contra os Deuses, contra todas as forças que não me obrigaram a seguir o meu caminho feliz, aquele que me fazia sorrir do nada, do quase nada, daquele verdadeiro sentir onde me reconheço e me adoro... Cansada de fugir, de viver uma felicidade fingida, longe de mim própria, longe de ti.. Mais 20 anos poderão passar que sinto em mim que te pertenço até à eternidade... Capaz de loucuras por ti, anseio pelo regresso da euforia, do sorriso fácil, do bater acelerado do coração cada vez que te lia e sentia sem te sentir... Sinto a tua ausência a quebrar-me a força, a destruir-me, a contaminar-me o sangue, que um dia unimos... Laço eterno, vida que me mata, longe de ti...

terça-feira, 2 de julho de 2019

Cavalo branco

No meu sonho os anos não passaram, não há grandes responsabilidades, apenas passeatas a chuva e beijos demorados de paixão e desejo. Senti quando as nossas almas se tocaram, se uniram e fundiram numa só, mais uma vez.. hoje voltei a sentir-te de madrugada, a minha alma foi com certeza procurar a tua... ou terá sido a tua a procurar a minha? Acredito que por vezes fogem das complicações e se encontram as escondidas dos nossos corpos ... Sentiste o sabor dos meus beijos? Sentiste o calor do meu corpo? Sentiste o arrepio no pescoço com o meu segredo? Não... Com certeza que não... Reconhecerias as minhas palavras e não terias ficado surpreendido por elas. Destino, fado, ilusão, paixão, amizade, amor??? O que será que me encaminha, que me puxa, que me segreda a todo o momento o teu nome, as imagens vividas e as que não foram vividas, as que podiam ter sido e não foram, o que me impede de te odiar por não me teres raptado num cavalo branco dos meus sonhos de menina? Por me teres deixado ir... Tal como te deixei outrora... Que as almas brindem e que nos seus sorrisos sejam plenas de felicidade...

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Lixo...

Cai a máscara de mulher forte que tudo aguenta, coração despedaçado, mordaça retirada, sentimentos, episódios passados que invadem a memória, o corpo a alma... Sinto o sangue contaminado, a loucura de anos, as ausências, os abandonos os tanto faz.. sinto-os hoje de forma violenta, uniram-se e ganharam força.. venceram e a derrota embriaga-me a lucidez, atormenta e consome cada gota do meu sangue! Gritar, fugir, clamar a algo.. estou acorrentada em mim e acredita... É a pior prisão que podes conhecer.. luto contra mim própria, contra cada pensamento que sei errado, contra cada emoção que me embriaga e acorrenta ainda mais a esta clausura imaginária... O desespero é imenso, a solidão corrói, o tanto faz destrói, a desilusão é rainha e eu... Lixo numa sociedade em que não se deve ser verdadeiro, genuíno, humilde e bom... Lixo por amar demais, lixo por não virar a página e escrever outro livro... De sonhos, de amores verdadeiros e imortais, de juras de sangue para a eternidade, de danças de chuva, de correrias para o infinito... Lixo...são palavras de esperança, de amor, de sonhos que não poderei escrever, não escrevemos o que não sentimos... Lixo.. revolta.. receio consumir- me e desistir a meio caminho... Desculpa meu amor... Desculpa esta fraqueza, esta falta de amor por mim, se nem por ti me conseguir erguer será o fim desta história...desta feita sem reticências...

sábado, 19 de maio de 2018

Quem sabe...

Um até sempre marca a indiferença da ausência... É apenas um até sempre.. um até já.. um até um dia que sabemos... não terá lugar! Algo que se diz simplesmente, confortável, bonito, sentido, sonhador e improvável... Sabemos, não nos voltaremos a ter, não voltaremos a ter beijos na chuva, não voltaremos a olhar ao espelho e reconhecermos a Alma gémea, o par perfeito, o amor eterno... Não voltaremos a conversas pela noite dentro, onde tudo e nada era dito.. apenas sentido.. ahhh e que felicidade rodeava esses momentos... Não voltarei a fumar do teu cigarro num beijo aproveitado, não voltarei a correr para o teus braços após horas de espera para te sentir, para te beijar, para te mimar e para me sentir a princesa mais amada de todas as histórias de encantar... "O verdadeiro amor nunca morre", morrem os sonhos diariamente por não sorrir com o coração, pela ausência de verdade completa que se coloca em cada toque, em cada entrega, em cada abraço sem sabor, sem paixão, sem entrega... Não se vive e deseja o passado, deseja-se a euforia, a adrenalina de um olhar capaz de resumir o Mundo ao espaço pequeno das nossas Almas... também das Almas que criamos e que amamos e que por elas, somos Força, Amor e Luta diária! Somos supremos nos sentimentos, somos seres superiores de Amor e de esperança, somos aquele até sempre que sabemos que nunca terá lugar, mas que mesmo assim e no nosso abraçar de Alma diário, susurramos... Quem sabe... ❤️

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Senhor da Janela

Hoje despediste-te da Vida física, de um corpo doente, das dores e da monotonia de todos os dias... Da crueldade talvez vivida pelos erros do passado, senti-o nela, a frieza a saturação, em mais uma espera por um táxi para mais uma visita ao hospital... Foi a única vez que te vi sem ser a olhar para a janela do teu primeiro andar, já estavas fraco e derrotado, as dores e a doença e a falta de esperança devem doer tanto... No teu olhar já não havia o mais além do que estava exatamente a tua frente, nada mais vias a não ser a doença, a dor, a fraqueza e o teu fado... Desejei-te as melhoras e pedi baixinho para voltar a ver -te a acenar da tua janela com o sorriso que já estava habituada... Neste Mundo diferente eras o único "desconhecido" que efetivamente me via! E a Sarah... A minha mais que tudo, adorava dizer-te adeus e enviar-te beijinhos e tu como vibravas com a atenção da nossa princesa... Cheguei a pensar que talvez fosse uma das poucas distracções que tivesses entre doenças, dores e desânimos. Hoje acredito que sim! Sabias sempre tudo, quem chegava, quem ia embora, para onde tinha ido o nosso Puskas enquanto o procuravamos muitas vezes em desespero... Mal tinhas voz, assobiavas, batias palmas, chamavas a atenção sempre de alguma forma e a verdade é que já fazia parte dos nossos dias olhar para cima e acenar-te, sorrir-te e desejar-te as melhoras... Como vibraste de alegria qual avô fosses, quando vias a Sarah a sorrir para ti ainda no carrinho, o olhar embevecido a ve-la dormir, a alegria dos primeiros passos, a emoção da primeira correria atrás dos pombos, que festa de sorrisos de genuína felicidade nos oferecias... como te assustavas quando ela caia ou fazia uma birrinha... Põe o cinto, anda devagar com o carro, cuidado... Advertências de atenção e carinho sem palavras que entendia tão bem... Não quero saber de erros passados.. quem não os tem? A verdade é que lamento muito que a Sarah não cresca mais um bocadinho contigo no primeiro andar a zelar por ela, lamento muito que nunca mais te vá ver a acenar e a sorrir naquela janela... Quando deixarei de olhar para ela e aceitar que vai estar sempre vazia de ti daqui para a frente.. desta vez não voltaste... Acredito no teu aceno, no teu sorriso e no teu zelo de carinho de um lugar superior, mais alto que o primeiro andar onde moravas e sempre presente entre nós. Obrigada e até sempre! 24-04-2018

domingo, 3 de setembro de 2017

O som da tua Alma

Oh se ela te reconheceria... Reconheceria o teu olhar na mais infinita multidão... Reconheceria o som único do teu sorriso, da tua voz, do teu respirar... A menina que alimenta sonhos, corre para um abraço de Alma que sente como sendo o complemento da sua... Unidas, estas Almas vagueiam pelo mais elevado pedestal de Felicidade, dançam ao som inaudível de uma melodia, vagueiam com destino à união, percorrem prados retirados de histórias de encantar e perdem-se do Mundo na aliança de um beijo, de um carinho tão imensamente profundo, verdadeiro e único, em corpos molhados e abençoados pela chuva! Os Deuses unem-se e celebram a perfeição do momento... De mão dada ao Sonho, recusa o regresso a realidade... Permanece de olhos cerrados, força o Sonho a não a abandonar... Sente a fraqueza a vencer, a realidade a ferir-lhe a pele.. Mas a menina sabe... permanecerá de olhos cerrados até ao momento em que te reconheça nesta multidão, até ao momento em que mesmo na escuridão, te reconheça num abraço...até ao momento em que num unir de lábios, todas as suas dúvidas sejam silenciadas e que o 'para sempre" tenha novamente significado na sua vida...