quarta-feira, 25 de abril de 2018
O Senhor da Janela
Hoje despediste-te da Vida física, de um corpo doente, das dores e da monotonia de todos os dias... Da crueldade talvez vivida pelos erros do passado, senti-o nela, a frieza a saturação, em mais uma espera por um táxi para mais uma visita ao hospital... Foi a única vez que te vi sem ser a olhar para a janela do teu primeiro andar, já estavas fraco e derrotado, as dores e a doença e a falta de esperança devem doer tanto... No teu olhar já não havia o mais além do que estava exatamente a tua frente, nada mais vias a não ser a doença, a dor, a fraqueza e o teu fado...
Desejei-te as melhoras e pedi baixinho para voltar a ver -te a acenar da tua janela com o sorriso que já estava habituada... Neste Mundo diferente eras o único "desconhecido" que efetivamente me via! E a Sarah... A minha mais que tudo, adorava dizer-te adeus e enviar-te beijinhos e tu como vibravas com a atenção da nossa princesa... Cheguei a pensar que talvez fosse uma das poucas distracções que tivesses entre doenças, dores e desânimos. Hoje acredito que sim!
Sabias sempre tudo, quem chegava, quem ia embora, para onde tinha ido o nosso Puskas enquanto o procuravamos muitas vezes em desespero... Mal tinhas voz, assobiavas, batias palmas, chamavas a atenção sempre de alguma forma e a verdade é que já fazia parte dos nossos dias olhar para cima e acenar-te, sorrir-te e desejar-te as melhoras...
Como vibraste de alegria qual avô fosses, quando vias a Sarah a sorrir para ti ainda no carrinho, o olhar embevecido a ve-la dormir, a alegria dos primeiros passos, a emoção da primeira correria atrás dos pombos, que festa de sorrisos de genuína felicidade nos oferecias... como te assustavas quando ela caia ou fazia uma birrinha...
Põe o cinto, anda devagar com o carro, cuidado... Advertências de atenção e carinho sem palavras que entendia tão bem...
Não quero saber de erros passados.. quem não os tem? A verdade é que lamento muito que a Sarah não cresca mais um bocadinho contigo no primeiro andar a zelar por ela, lamento muito que nunca mais te vá ver a acenar e a sorrir naquela janela...
Quando deixarei de olhar para ela e aceitar que vai estar sempre vazia de ti daqui para a frente.. desta vez não voltaste...
Acredito no teu aceno, no teu sorriso e no teu zelo de carinho de um lugar superior, mais alto que o primeiro andar onde moravas e sempre presente entre nós.
Obrigada e até sempre!
24-04-2018
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário