quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Adeus do Sol


Sinto o buraco negro a envolver-me a Alma, esfrego os olhos quero soltar estas correntes que me aprisionam, quero acordar e suspirar o alívio de algo irreal. Inspiro e o ar que absorvo queima-me por dentro, tento não respirar mas a dor sufoca-me e então entendo que a realidade me está a arrastar novamente para o abismo que sempre estive na iminência de abraçar…

A libertação doente conduz-me, não consigo ver para além de uma sombra destorcida que parece chamar-me, a sombra dos meus sonhos, dos meus pesadelos… A mesma que vejo em mim em todo o despertar e antes do sono me vencer.

Sinto o cheiro intenso a bafio, pequenos seres rastejantes assustam-se com a presença de alguém que se move, de alguém que ainda respira para além deles. Tento resistir, encontrar a saída, tropeço, falo para o vazio, encosto-me a paredes que imagino imundas e questiono-me se não estará também imunda a minha Alma…

Será este o fim de todos os sonhos?

O castigo por me manter fiel ao que sempre aprendi, fiel aos meus ideais de respeito e integridade, fiel a mim própria e aos que me rodeiam, fiel ao Amor, fiel ao sonho, fiel ao romantismo e ao Amor para Sempre?... Será esta a minha imundice?...

Valores que se perdem e que tal como eu vagueiam sem rumo incapazes de suster a Esperança…

Desejo lavar a Alma com a realidade de hoje e esquecer o que outrora fui. Não pertenço a este Mundo mas parte de mim desejava intensamente pertencer, rogo a forças supremas para que estas lágrimas apaguem tudo o que fui, tudo o que sou e me transformem num Ser incapaz de sentir qualquer emoção. Programado para vencer neste Mundo podre dominado pela aparência, pelo dinheiro fácil, pela ausência de escrúpulos, pela negação ao seu próprio eu… Num Mundo em que somos o nosso próprio inimigo, quero conseguir sorrir para esta nova realidade que hoje me faz estremecer de abominação.

Não desisto e ainda procuro a saída por entre a névoa densa que me envolve os sentidos. Vejo agora o que me parece ser um pequeno raio de Sol, um pequeno sinal de que não estou sozinha e que o Mundo pode ser melhor…

A minha mente tentou apagar o momento em que tinha registado o ADEUS final do Sol…

Apesar do adeus, há algo que ninguém me poderá roubar, está tatuado no meu coração, na minha Alma… Faz parte do meu ser, da minha essência, do meu respirar…

Percorro os poucos metros que nos separam e encontro a luz do dia…



Nada mais…





Não há Sol…

Não há Mundo novo…

Não há Mundo melhor…