Os papéis invertem-se, tento ser forte escondendo-te o medo desesperante que me fere como lanças, engulo o grito de horror que todo o meu ser emana, obrigando-o a permanecer escondido em mim até ser seguro libertá-lo. O horror seria pior se o sentisses no meu olhar…Sei que te esforças para que não sinta o teu medo…
A minha face elabora mecanicamente um esboço de um sorriso, acaricio-te a testa tensa e despeço-me com um até já, demoro-me no beijo de ternura que te ofereço, rogando a forças superiores que te acompanhem. Tenho de sair…
Obrigo-me a coordenar movimentos no caminho oposto ao que desejava seguir. Não olho para trás, o meu rosto já libertou o grito e não podes ver-me assim…
A porta fecha-se atrás de mim, sinto o piso trémulo e inseguro em cada passo que me afasta de ti. Daria tudo para estar no teu lugar, para te libertar, para te oferecer a cura…Tudo perde a importância. És tu o centro de tudo e nada mais abalaria o meu Mundo. Esqueço-me da vida para além daquele local, para além de ti.
A minha mente vagueia por entre os corredores que uma porta esconde, a mesma que fisicamente nos afasta.
Sinto-me fraca, impotente… A incerteza, os medos, arrefecem-me a Alma. O ar torna-se denso, pesado, respiro com dificuldade. Preciso de oxigénio, preciso da tua mão na minha…
Rogo para que no teu sono induzido sintas a minha mão na tua, o meu abraço de Amor Eterno e incondicional mas não o meu desespero.
Lentamente um suave abraço que reconheceria em qualquer local ou situação envolve-me com a sua doçura. O teu Amor, a magia do nosso Amor, veio até mim para me envolver numa aliança de protecção, de bem-estar e calor de um sentimento eterno e incondicional que por ti sempre me foi oferecido.
As horas passaram com o meu Espírito mais calmo e quando finalmente te revi, o meu Mundo sorriu.
Peguei na tua mão frágil ainda adormecida, agradecendo em silêncio aquele momento… Reconheceste o meu toque e ainda antes de me olhares, de abrires os olhos ou de teres escutado a minha voz, murmuraste o meu nome…
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