segunda-feira, 11 de julho de 2011

Enquanto aqui estiveres...

Sinto o piso incerto, brechas profundas a cada passo fazem-me cambalear, sinto o abismo perto, tão perto que quase sinto o odor a morte. Não sinto medo, aliás não sinto qualquer tipo de emoção. Sigo desatenta com a mente vazia, desprovida de sonhos, de felicidade. Observo o imenso túnel que me rouba os sonhos e me intimida, a mesma escada cujo fim nunca alcancei.
Tremo por pressentir a derradeira queda, a que me irá roubar a pouca força que ainda vive em mim, a que me irá transformar, a que me fará abraçar o abismo no lugar do meu Mundo…
Outrora sonhava em descobrir o que ou quem me esperava no Cume deste caminho que me retira as forças e me faz desejar a solidão. Então, lutava por me levantar em cada queda e obrigava-me a recomeçar, cada recomeço mais irregular, mais desequilibrado, mais fraco…
Hoje já não pretendo descobrir. Acredito que iria encontrar o mesmo vazio que me preenche a Alma.

Decido despedir-me sozinha, não vou esperar mais pela tua despedida. Não consigo alimentar mais sonhos apenas com palavras, tornaram-se famintos por acções e agora desfalecem e também eles me abandonam…
Choram no leito de morte as últimas lágrimas que desenham o teu nome.
Forço-me a acenar-te um último Adeus, a quebrar os laços que erradamente ainda me uniam a ti, sinto a quebrar tudo em mim…

Estou perdida no meu próprio desespero, sigo apenas o que parece o mais elaborado dos labirintos sem me importar em descobrir um porto novo e muito menos seguro.
Na realidade quase já nada importa.

Disse Adeus á esperança…
Disse-te Adeus…
Disse Adeus a mim…

Apenas sei que por ti tenho de viver.
Rei do Amor incondicional, razão da minha existência.
Sinto pena por amares tanto alguém tão fraco…
Mas também eu te amo, a minha fraqueza não atinge a força do meu Amor por ti. E por ti existo.

E apenas por ti, continuo…
Enquanto aqui estiveres… Continuarei…

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