sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pueril desejo

Folheio um livro, viajo em pensamento, sinto o aroma de cada local, o toque de cada palavra escrita como se de uma serenata se tratasse.
Revejo-me em situações, luto pelos mesmos ideais, desejo que a minha história seja merecedora de um final igualmente feliz.
A Felicidade, á luz do meu desejo, é algo que parece tão simples de alcançar…
No entanto escapa-me entre os dedos como água que escorre e não se consegue absorver ou guardar…


Crianças passeiam de mãos dadas á inocência, de corações abertos, de sentimentos libertos. Observo que apenas um carinho, uma palavra de amizade, um gesto de Amor, as faz alcançar o auge de felicidade.
Os seus sorrisos transformam-se no mais perfeito arco-íris alguma vez visto.


Ao adulto talvez lhe falte a inocência, o coração aberto e os sentimentos libertos…
Coragem para libertar a nossa criança, coragem para passear por Mundos imaginários, coragem de sorrir sem motivo, coragem para brincar e amar sem receios…


Desperto, sinto a quente brisa a envolver-me a alma, corro para a janela num impulso pueril e ouço o mar a clamar o meu nome.
Sigo o instinto, ouço a criança que há em mim e percorro o mesmo caminho mais uma vez.
O sol aquece o meu corpo, desejo abraçar o infinito… Por momentos desejo acreditar que estou feliz…


Mergulho no meu Oceano de sonhos e sinto-me livre, flutuo admirando o imenso céu azul, esquecendo medos e angustias, renasço e ergo-me para uma nova vida construída em confiança no que sou, no que me tornei.
Brinco com as ondas deixo-me embalar no seu suave embalo, absorvo o doce aroma a maresia.
Desejo guardar este momento na minha caixinha imaginária de boas memórias.


O livro fecha-se, a noite arrasta-se rapidamente, temo tudo o que ela me oferece.
A tua presença, o teu beijo que já não quero desejar, o passado que desejo enterrar…
Suplico para que me abandones, que me libertes deste amor doente.


Ofereço os meus desejos, já não pretendo sonhar.

Sem comentários:

Enviar um comentário