sexta-feira, 29 de abril de 2011

A página eternamente aberta, as imortais reticências... Serás sempre tu, sem despedidas...

Mergulhada no som das ondas, envolta em perfume com aroma a maresia, escuto a tua voz e julgo sonhar. Refresco as memórias, baixo as barreiras, escuto a voz que me chega ao coração. Estás a caminho, não sou neste momento nada mais que um turbilhão de sentimentos reclusos prestes a explodir. Não sei se de felicidade, se de receio de te rever... Tudo o que julgava ter decidido, tudo o que julgava ultrapassado apresenta-se agora como uma prova de fogo, como punhais que me ferem a Alma, rindo da minha dormência dominada pelo pânico.
Observo a tua chegada calma, brilhante... Caminhas na minha direcção sem fixar o olhar em lugar algum. Vagueias em lembranças e tal como eu baixas as muralhas que nos separam. Num instante que irei chamar de eternidade estás de frente para mim, aguardas algo que não consigo decifrar. Corro para os teus braços num abraço tão imensamente correspondido que desejei não necessitar de mais nada, desejei esquecer o que nos rodeia, o que nos afasta, o que nos une...


Desejei ser apenas eu... mas contigo há sempre um porquê, um se, um e depois, um e agora...
Por momentos entrego-me ao verde do teu olhar, deixo que me leias a mente, que me acaricies o Espírito. Sinto o rasgar da minha pele já exposta a ti, o sangue a ferver-me os pensamentos, o corpo trémulo de ansiedade. Queres sentir-me para além do toque superficial, queres deixar a tua marca na minha Alma já tão tatuada com o teu nome. Decidimos sem palavras que aquelas horas nos pertenciam, sem porquês, sem ses, sem depois...


A despedida... Essa nunca tem lugar na nossa história já tão longa de encontros e desencontros.
A página eternamente aberta, as imortais reticências... Serás sempre tu, sem despedidas...

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